O BEM E O MAL* 2026
O BEM E O MAL
Inspirado na obra de Gabriel García Márquez*
A minha consciência
Vive me provocando
Vive me dizendo
Para continuar
Desafiando o meu destino,
Que ela antevê como será;
A continuar assim,
Segundo ela,
Uma vida solitária,
Monótona e insípida
Como se isso
Fosse um desperdício
De minha existência.
Assim, é por isso que,
Inevitavelmente,
Ouso
Sou tentado a pecar
Tornando-me um contumaz
Transgressor dos bons costumes
Uma criança
Brincando com o fogo,
Um renegado,
Próximo de um animal
Irracional
Incurável perpetrador
De pecados
A maioria venais
Socialmente aceitos
Com veladas condenações
E nenhuma punição
Todavia não passo incólume
Eis que me encontro livre
Porém preso à solidão da alma fugidía
Com certo sentimento de culpa
Pois sou um vívido
Contraste que me lembra
Com algum mórbido prazer
A qual desses mundos pertenço
E cheguei à conclusão
Que pertenço aos dois
Que coabitam silenciosamente
Digladiando-se dentro de mim
Lado a lado
Versos de mesma moeda
Como irmãs siamesas
Poderosas forças ocultas
O lado escuro da lua
O bem e o mal
E quando os vejo tentar
Se distanciar
Aos poucos um do outro,
Suspiro com a dor
De uma inefável saudade
Eis o grande paradoxo dentro de mim,
Que é pura ambiguidade
Estranhamente
Como um barco
Que se afasta para distante
Todavia sem jamais sair desse solitário mar interior de contradições
Paulo Rebelo, o médico escritor e poeta
Nota: o poema O BEM E O MAL faz parte de minha antologia de textos existenciais.
Gabriel García Márquez não escreveu um tratado filosófico sobre o bem e o mal, mas explorou esses conceitos em sua obra como forças ligadas à natureza humana e à memória.