AVATAR*

AVATARPor Paulo Rebelo Ainda que quisesseNão tenho máscarasPara fingir o que não souNem o que nunca sereiMaquiar o meu rostoPara dissimular minha dorEsconder que pequeiNegar que furtei o amor De mais uma incauta mulherTampouco a tenho para enganar o outroPois não sou canalhaA não ser comigo mesmoQue traio minha consciência Ou para apenas parecer gentilQuando estive a ponto de gritar e se tentado,Até matar.Eis que tenho sim, o meu AVATAR! Ele sou eu; Eu sou ele E não enganamos um ao outroNão temos segredosNunca brigamosCerto de que somos cúmplices Versos da mesma moeda Nós nos amamosNum amor incestuosoComo Narciso Mesmo sabendoSomos comparsas de todos os crimes dolosos E culpososMuitos os quais nunca existiramNem existirãoEu quis que ele os cometesse em meu lugarEu teria um álibi perfeitoPois no fundo sou covardeÉ que tudo não passa de vontades perdidasDevaneios de adolescentesLuxúria de um contumaz devassoDesejos proibidos Mas que isso é apenas um sonhoUm faz de contaOmitir não é uma farsaComo o gênio da lâmpadaPode minha volúpia realizar.Pois, nesse meu outro mundo Há o meu ALTER EGOQue tem denodoMeu ID libertário de FreudQue vai para onde eu quiserAlguém que eu sempre quis serMas não tenho coragem: SANTO e PECADOR Ao mesmo tempoSem drama e sem amarras Ou correntes para nos segurarSem remorsos ou pudorUm lugar onde não há sentimento de culpaApenas um homem a vagar No imenso mar da solidão Temporariamente amauróticoEm meio à escuridãoE em busca da LUZ Que um dia vai encontrarPaulo Rebelo, médico escritor e poetaNOTA: esse poema é um tributo de ❤️ ao meu amigo OSMAR JUNIOR, baseado na sua história de vida e estórias, quando em seus momentos confusos e incertos, confunde loucura e realidade, que são encerradas quando canta suas canções em versos e prosas, que o livra do abismo da solidão, e faz o mundo o admirar.

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