A ESTRADA* 2026
A ESTRADA
A estrada
Que é minha,
Às vezes,
É colorida,
Tão clara,
Arejada,
Outras vezes,
Tão escura
Abafada
E cinza.
Ora é uma reta
Ora perigosa curva,
Ora estreita
Ora larga.
Ora pavimentada
Ora crua.
Imaginei que a estrada
Estivesse livre,
Limpa
E segura
Mas, um dia
Tornou-se
Íngreme,
Incerta,
Acidentada
E suja.
Tinha a impressão
Que era longa
A perder de vista,
Mas, agora,
Depois de tanto caminhar,
Já não tenho mais tanta
Certeza;
Parece curta.
Acreditava
Que sabia
Para onde ia,
Todavia me perdi,
Me feri
E para sobreviver
Tive que cortar caminhos
Como garantia.
A minha estrada
Tem muitos desvios;
Nunca foi bem sinalizada,
Muitas vezes,
Termina num abismo,
Outras vezes,
Parece armadilha
Num beco sem saída,
Numa encruzilhada.
Ainda assim,
Não me queixo
Ela é o proprio destino;
É minha solitária
Caminhada.
Paulo Rebelo , médico escritor e poeta
P.S. Meu amigo-A,
minha veia de escritor ocorreu com o tempo, principalmente, a partir da observação do sofrimento alheio (ficava impressionado com tanta dor, que assustado pensava: “pode ser eu mesmo amanhã!” 🙄), mas aconteceu de eu adoecer e então, como já estive diante da morte e invalidez permanente (superados, felizmente), desenvolvi uma profícua arte literária na forma existencial. Passei a ver vida e morte com menos aflição. Como médico, arguto observador e partícipe; como poeta, buscando dar algum sentido a isso. Creio que tenha conseguido. Procurando amenizar ou neutralizar minhas próprias aflições, passei a contar indiretamente a minha vida e dos outros através da poesia. É o meu antídoto e panaceia.Espero que aprecies o poema A ESTRADA.
Paulo Rebelo, médico escritor e poeta