FORTALEZA SJ DE MACAPÁ
A tarde era cinzenta; a temperatura agradável. Havia uma leve brisa marinha. Adentrei na grandiosa Fortaleza São José de Macapá, que está em reforma mais uma vez (ao longo de 45 anos vivendo em Macapá essa é a segunda). Nenhum turista. Parece construção histórica abandonada nas brumas do tempo, cujas obras de restauração vão ficando pelo caminho.
Ela dá a noção da impotência do homem diante da inexorabilidade do tempo.
As numerosas e robustas grades de ferro e prédios térreos com grossas paredes de mais de um metro de espessura, baluartes e canhões conferem grandiosidade ao belo, porém abandonado monumento. Há um ar de melancolia.
A fortaleza evoca um passado distante. O meu pensamento foi ao século XVIII em busca de respostas para perguntas que normalmente não as fiz. Por um instante, mergulhei numa breve, mas profunda reflexão. Aquele local me fez refletir sobre a condição humana e a transitoriedade da vida. Assim como muitos homens incógnitos religiosos, militares da coroa portuguesa ou prisioneiros passaram por alí, também, eu serei mais um, relativizando minha importância ou dando a real dimensão de grandes e pequenos homens no tempo e espaço.
Paulo Rebelo, médico escritor e poeta,