BELÉM HISTÓRICA*

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A IDA AO CENTRO HISTÓRICO de Belém com o meu mano André, que me ciceroneou me fez ver e conhecer a cidade sob um ângulo diferente. Pessoalmente, fiz uma bela viagem ao encontro do passado de muitas lutas pela glória e sobrevivência da população paraense numa terra inóspita e incógnita, batalhas nas quais nunca estive envolvido, mas por estranho atavismo como se lá naquele tempo tivesse vivido, morrido e hoje, essa época revisitada.

Vale a pena visitar: Estação das Docas (não há nada igual no Brasil, creia-me), a Alfandega com o Museu da UFPA, voltado para a Floresta Amazônica, especialmente, o Pará, destacando o seu povo largamente miscigenado por indígenas, negros e brancos europeus, resultando numa verdadeira mestiçagem de caboclos, cafuzos e mamelucos, a Catedral da Sé, Igreja de Santo Alexandre & Museu de Arte Sacra (belíssimo), Forte do Castelo, Mercado de Ferro e sua formosa escada de ferro em estilo caracol do século XIX, trazida da Inglaterra vitoriana, o Mercado do VER-O-PESO com sua grande variedade de frutas, temperos, cheiros, óleos medicinais de copaíba e andiroba, peixes como o filhote, tambaqui e a gurijuba e camarões do grande ao minúsculo aviú e, finalmente, a Casa das Onze Janelas e sua rica culinária no Restaurante Casa do Saulo, onde degustamos o saborosíssimo prato “Paraíso Verde”! (eu recomendo!).

A cidade de Belém do Pará no que diz respeito à arte, história, culinária e cultura é maravilhosa, rivalizando a Bahia, Pernambuco, Minas Gerais, SP e Rio de Janeiro. Uma parte de Belém transpira bom gosto, classe, erudição, intelectualidade e humanismo.

Arte sacra e artesanal, praças, boulevards, o igrejas centenárias, o casario colonial, prédios e monumentos históricos, muitos da BELLE ÉPOQUE são evocativos e provocativos, pois aguçam nossa imaginação, pois falta-me conhecimento que torna-se fértil pela abundância, diversidade e riqueza locais, acabando por ser permeada de lendas, misticismo, folclore, mistérios da floresta, esoterismo pelo sincretismo de culturas, políticas beligerantes das naçoes da época e verdades relativas da sociedade numa pré-democracia, pois muito se perdeu nas brumas do tempo.

Assim, arqueólogos e historiadores tiveram que se debruçar sobre muitos documentos, investigar muito, certamente, e a partir daí montar um quebra-cabeça para (re) criar a HISTÓRIA a mais fidedigna possivel, porém que repleta de lacunas foi preenchida de suposições dos autores, quando inevitavelmente, para o povo não há mais limite entre o que é realidade e ficção, restando-nos um imenso arrebatamento engrandecedor. Folclore é saber, também.A identidade do paraense bairrista e papa chibé, então, foi criada ao sabor do tacacá, da tapioca, do açai, da maniçoba e do pirarucu.

Paulo Rebelo , médico, escritor e poeta.

Alô, meu amigo-A!

Para conhecer mais sua história, programe-se; tire uma manhã inteira. Comece a “caminhada cultural” na Estação das Docas, às 9 da manhã. Uma parte de Belém meio que escondida ou acanhada transpira arte e rica história, belas imagens, bom gosto, classe e requinte, erudição e intelectualidade e humanismo, infelizmente, sufocada pela violência urbana, reflexo do baixo IDH, pois o belemense sofre: o caboclo paraense, também, gostaria de ter uma vida digna; “quer ser gente”.

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